Condutores, concessionários e fábricas em toda a Alemanha e Áustria estão a sentir os efeitos de uma nova fase industrial: grandes centros de I&D de baterias e fábricas de células estão a passar de piloto para escala industrial, enquanto sistemas baterias em escala de rede estão a ser construídos para estabilizar a energia para carregadores rápidos e frotas. Essa combinação promete emprego, fornecimento local de células e carregamento mais fiável nas autoestradas — e já está em construção em ambos os lados da fronteira.

Fábricas: da investigação à gigafábrica em escala industrial

Em Münster, a 'FFB Fab' da Fraunhofer alcançou um marco de construção importante: a cerimónia de colocação da última trave na segunda fase do local, que incluirá instalações de produção em escala de gigafábrica em mais de 20.000 m² e é apoiada por cerca de €1 mil milhões em fundos federais e estaduais (aproximadamente €750m federais, €320m NRW). O centro foi concebido para servir de ponte entre a investigação laboratorial e a produção industrial de células, acolhendo linhas piloto e quase‑série para empresas e investigadores.

A indústria move‑se em paralelo: a PowerCo do Volkswagen Group em Salzgitter comissionou a sua linha europeia de células de bateria e produziu as primeiras ‘Unified Cells’ em dezembro de 2025, sinalizando que o abastecimento de células detido por um OEM já está activo na Alemanha. Entretanto, o projeto Heide da Northvolt continua a ser uma fábrica planeada em grande escala (capacidade anual de 60 GWh) com início de produção previsto para 2026 e rampa até à capacidade total nos próximos anos.

Rede e carregamento: grandes baterias e hubs rápidos

Estão a ser construídas baterias em escala de rede para acompanhar o ritmo. O promotor energético NGEN iniciou a construção de vários projetos: a Uniper/NGEN lançou a obra de um sistema de 50 MW/100 MWh em Wilhelmshaven, na Alemanha, e a NGEN iniciou um projeto de bateria de 85 MW/170 MWh em Wagenham, Alta Áustria — este último descrito como a maior instalação de armazenamento crítica para a rede do país. Estas centrais estão explicitamente localizadas para fornecer serviços auxiliares e flexibilidade à rede que suportem carregamento de elevada potência e integração de renováveis.

Ao mesmo tempo, novos hubs de carregamento rápido estão a aparecer nas autoestradas. A Orlen inaugurou um hub multi‑vagas perto de Elmshorn com dezasseis carregadores de 400 kW e uma cobertura solar no local, e a empresa afirma ter planos para uma implantação adicional na Alemanha (centenas mais de pontos contratados este ano). O carregamento de autocarros e carreiras segue o mesmo caminho: a Daimler Buses Solutions alargou os seus pontos de carregamento públicos em Colónia e Munique e planeia zonas de elevada potência (até 600 kW) no ZOB de Hamburgo para servir autocarros eléctricos de carreira.

Na Áustria, o operador rodoviário nacional ASFiNAG publicou um concurso público a 4 de novembro de 2026 para instalação e actualização de infraestruturas de carregamento eléctrico nos seus locais de autoestrada (depósitos da autoestrada, postos de portagem e bases operacionais), sinalizando uma contratação pública coordenada de equipamento AC e DC ao longo da rede.

O que isto significa para o mercado

O quadro combinado é claro: o impulso da Alemanha para acolher capacidade de células tanto em escala de investigação como industrial (a FFB Fab da Fraunhofer, linhas de células de OEM e a fábrica planeada da Northvolt) reduz a dependência das importações de células, enquanto grandes armazenamentos de baterias e hubs de carregamento rápido diminuem as barreiras de integração na rede para um crescimento rápido do carregamento. Os projetos de armazenamento da NGEN destinam‑se a fornecer serviços auxiliares e capacidade com deslocamento temporal, que operadores e proprietários de carregadores rápidos (por exemplo a Orlen) utilizam explicitamente para suavizar picos e permitir locais de alta potência. Para operadores de frota e municípios, o alargamento da Daimler Buses e o concurso da ASFiNAG na Áustria mostram que o planeamento da electrificação está a passar de pilotos para infraestruturas permanentes.

Os próximos seis a 24 meses irão testar se a produção local de células, o armazenamento e a implementação de carregadores acompanham a procura de veículos — mas as fábricas a entrar em funcionamento e os grandes projetos de baterias actualmente em construção são passos concretos rumo a um ecossistema EV mais resiliente na Alemanha e na Áustria.

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Fontes: Fraunhofer FFB, Volkswagen Group (PowerCo), Northvolt, NGEN, Orlen, Daimler Buses, ASFiNAG