O panorama de fornecedores da Alemanha e da Áustria entrou numa nova fase de consolidação e realinhamento industrial — que interessa a condutores, concessionários e a mais de 100.000 trabalhadores da indústria transformadora. Na Alemanha, o anúncio da MAHLE em maio de encerrar a fábrica de ar condicionado em Neustadt an der Donau (cerca de 350 empregos) e as greves subsequentes cristalizaram as consequências sociais e políticas das decisões de realocação. Na Áustria, grupos de engenharia e componentes estão tanto a comprar capacidades como a reduzir efetivos à medida que a procura dos OEM muda.
Alemanha: encerramentos, greves e pressão sobre fornecedores
A 12 de maio de 2026 a MAHLE anunciou que fecharia a unidade de Neustadt an der Donau — trabalham aí cerca de 350 colaboradores — atribuída à diminuição de encomendas de clientes, ao aumento da pressão de custos e à concorrência mais forte da Ásia. A empresa afirmou que a continuação da atividade era economicamente inviável.
Os trabalhadores e a IG Metall responderam com ação industrial prolongada: documentos da IG Metall registam greves de vários dias no local de Neustadt em junho e uma votação quase unânime para pressionar por um acordo coletivo social, enquanto a organização alega que a administração interrompeu negociações e planeou transferências de produção para o estrangeiro. A IG Metall criticou publicamente a decisão por prejudicar a base industrial da Alemanha.
Nem todos os fornecedores estão a retrair. A ZF reportou tendências operacionais resilientes nos primeiros nove meses de 2026: vendas de €28,9 mil milhões, EBIT ajustado de €1,4 mil milhões e uma melhoria considerável no fluxo de caixa livre ajustado para cerca de €1,1 mil milhões (mais €411 milhões ano a ano), que, segundo a empresa, fortalece a sua posição financeira mesmo enquanto continua a reestruturar-se para a transição da indústria.
Áustria: aquisições estratégicas e cortes seletivos
Os grupos austríacos estão a reagir de formas diferentes. A Miba anunciou uma das maiores aquisições da sua história em outubro de 2026, comprando o negócio de casquilhos (plain‑bearing/glide bearing) da RENK — um movimento que a empresa enquadra como uma consolidação direcionada que expande o seu portefólio de produtos e a sua presença geográfica. A Miba reportou vendas recorde acima de €1,2 mil milhões no exercício 2025/26 e uma onda de investimentos em formação e capacidade de produção no início do ano.



