A Alemanha e a Áustria estão a assistir a uma melhoria discreta mas significativa nas espinhas dorsais que movimentam automóveis: modernização de terminais portuários em Hamburgo e novas locomotivas transfronteiriças que eliminam trocas de locomotiva demoradas. Para condutores, concessionários e fabricantes isto significa entregas mais rápidas e mais capacidade para o surto de VE e de importações — para o pessoal do terminal e equipas ferroviárias isto implica novos fluxos de trabalho e novas competências.
Actualização do porto: pavilhão multifuncional de €25M da BLG
A BLG Logistics lançou uma ampla expansão no seu AutoTerminal no Porto de Hamburgo em meados de setembro de 2026, assinalando em 17 de setembro o início das obras para um novo pavilhão multifuncional e infraestruturas associadas. A empresa afirma estar a investir cerca de €25 milhões para fundir pavilhões existentes numa única instalação de 10.300 m² que optimiza o espaço em cerca de 35% e disponibiliza uma área logística central de aproximadamente 4.500 m². O projecto inclui um telhado fotovoltaico planeado (≈749 kWp), um telhado verde de 1.900 m² e infraestruturas para carregamento de camiões eléctricos; a BLG ambiciona a certificação DGNB 2023 Gold. A BLG manuseou cerca de 130.000 veículos em 2025 em Hamburgo e atualmente processa esses fluxos com cerca de 290 colaboradores — números que a empresa cita para sublinhar o papel estratégico do terminal. “Com os investimentos neste local…estamos a marcar o futuro do Porto de Hamburgo,” disse o CEO da BLG, Matthias Magnor, na cerimónia.
Comboio: carga transfronteiriça com uma única locomotiva
A capacidade e fiabilidade ferroviária também estão a melhorar. A Captrain Deutschland arrendou locomotivas multi‑sistema Alstom Traxx Universal à RAILPOOL que estão licenciadas para circular sem necessidade de troca na Alemanha, França, Bélgica, Luxemburgo, Áustria e Polónia. O arrendamento entrou em vigor a 1 de abril de 2026; uma das duas locomotivas inclui também um motor diesel de “última milha” para servir directamente carreirões não electrificados. A medida elimina as trocas de locomotiva em corredores longos e acelera os envios porta a porta por comboio — um ganho directo de eficiência para exportadores e importadores que movimentam veículos e peças ao longo do eixo germano‑austríaco. A Captrain afirma que a medida aumenta a fiabilidade e torna o comboio mais competitivo face à estrada em rotas transfronteiriças.
O que isto significa para o mercado
Tomadas em conjunto, as iniciativas no porto e na ferrovia são medidas práticas que aumentam a capacidade em vez de megaprojcetos mediáticos — mas têm importância. O pavilhão da BLG consolida preparação de veículos, lavagens, pintura e serviços técnicos num único espaço, encurtando distâncias de transporte interno e oferecendo carregamento no local para camiões eléctricos; isso reduz o tempo de permanência no terminal para veículos acabados e diminui custos de transição para concessionários e operadores de frotas. As locomotivas Captrain/RAILPOOL eliminam um ponto de fricção comum no transporte europeu: a necessidade de trocar locomotivas na fronteira. Isso reduz a variabilidade dos tempos de trânsito e as necessidades de mão‑de‑obra para manobra, o que pode diminuir entregas em atraso e aumentar a resiliência das cadeias de abastecimento pressionadas pela volatilidade de horários.
Existem limites. O transporte nocturno de veículos existe na Áustria (o ÖBB Nightjet permite automóveis em algumas ligações austríacas) mas não substitui os serviços comerciais Ro‑Ro ou autorack na Alemanha; as opções de transporte de automóveis em comboios nocturnos de passageiros permanecem um serviço de viagem de nicho e não um canal logístico para concessionários. Ainda assim, a flexibilidade ferroviária da Áustria sublinha como regras e serviços nacionais diferentes moldam as opções transfronteiriças.
Para concessionários e equipas logísticas dos OEMs, a lição prática é rever rotas e pressupostos de prazos: terminais que adicionam carregamento para VE e oficinas consolidadas reduzem o risco just‑in‑time para veículos que necessitam de instalações de última milha ou verificações de qualidade, enquanto menos trocas de locomotiva tornam o comboio uma alternativa mais previsível à estrada para envios em longos corredores entre a Alemanha e a Áustria. Para operadores de terminais e empresas ferroviárias, a compensação será o investimento em pessoal multi‑competente e capacidade de manutenção para operar equipamento mais ecológico, electrificado e transfronteiriço de forma eficiente.
Fontes: LOGISTIK HEUTE, RAILPOOL/Captrain, ÖBB Nightjet



